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Estudantes de Cruzaltense produzem artigos construindo o conhecimento

Data: 10/12/2018

A constatação de que professores de graduação e pós-graduação recebem alunos com dificuldade de organizar e elaborar o processo metodológico de uma pesquisa fez surgir um dos trabalhos que mais envolveram e empolgaram os alunos do 9º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Mario Quintana, de Cruzaltense, neste ano. O professor de Educação Física, Rômulo Menegaz foi o orientador dos trabalhos que ganharam caráter interdisciplinar na área das linguagens. “Chegamos à conclusão de que se possibilitássemos esta vivência aos alunos eles estariam mais bem preparados quando chegassem ao Ensino Médio ou Superior”, conta o professor.

O lançamento da ideia não deixou de causar estranheza entre alguns. “A gente começou sabendo praticamente nada sobre como deve ser conduzido um artigo, mas depois que definimos o tema, com a orientação do professor fomos avançando”, conta a aluna Julia Cristina Trentin. Os artigos abordaram vários temas, entre eles, proconceito, agrotóxicos e câncer. Para o professor Rômulo, o grande aprendizado do trabalho foi a relação da teoria com a prática, a obtenção de dados concretos e a comprovação científica das pesquisas. “Sem metodologia, o aluno até faz trabalhos, mas é quase que um copiar-colar, sem construir uma opinião crítica enquanto que na metodologia ele vai coletar dados, analisar, vai chegar ao resultado, validar o seu conhecimento”, enfatiza.

Julia Trentin  que abordou as  consequências dos agrotóxicos e da radiação solar para o aumento dos casos do câncer, conseguiu comprovar a relação entre os pesticidas e a doença com dados locais. Para Daniele Smalti, a produção do artigo a levou a ter um choque de realidade. Ela trabalhou o racismo e entrevistou crianças do município sobre a ocorrência de discriminação por causa de raça ou cor.  “Eu consegui atingir os meus objetivos, mas me decepcionei, porque imaginava que o racismo não existia, de verdade, num município tão pequeno, mas quando fiz as entrevistas, um menino negro chorou e isso impactou muito em mim, porque não só comprovei que o racismo existe, mas constatei a dor que ele produz”, conta.  

A elaboração dos artigos resultou num seminário, onde o conhecimento produzido foi apresentado para uma banca formada por professores da área das linguagens. Os professores de cada disciplina avaliaram a oratória, desenvoltura, contextualização do tema, ortografia e gramática, da mesma forma como acontece na apresentação de um trabalho de conclusão de curso universitário. Agora, os alunos vão fazer as correções recomendadas pelos professores e os artigos serão encadernados e vão compor o acervo da biblioteca da escola.

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